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Logística reversa de containers offshore

Ciclo de vida dos containers – carregamento até o seu descarte

A logística reversa é um segmento que ganha cada vez mais importância no mercado atual, pois além de reduzir custos, clientes buscam empresas ecologicamente corretas e novas leis exigem que as empresas tenham projetos de descarte de produtos após o uso.

A exploração do petróleo é um dos ramos que mais movimenta a economia de nosso país, e para manter os colaboradores que atuam diretamente nas plataformas petrolíferas, empresas como De Nadai Soluções em Alimentação, enviam diariamente containers abastecidos com alimento, água, bebidas não alcóolicas e matérias diversos.

Neste artigo será abordado como esses containers são enviados para as plataformas, como eles retornam para a base da De Nadai e quais os processos adotados para a reutilização dos mesmos e a sua destinação quando já não apresentam mais as condições necessárias para uso.

Vera Bussinger afirma que a logística teve seu início há muitos anos atrás, desde os tempos antigos no qual os militares preparavam estratégias para a guerra.

Nos últimos anos a logística tem sido uma ferramenta chave para a estratégia competitiva de muitas empresas.

Atualmente, uma nova ramificação da logística tem sido determinante para mais sucesso de algumas companhias: a logística reversa.

A cada dia a preocupação de todos nós com o meio ambiente aumenta, e por este motivo a maioria das pessoas buscam produtos ecologicamente corretos, além de buscar facilidade para descarte de produtos que não tem mais utilidade.

Vista essa preocupação, muitas empresas implementaram a logística reversa, pois assim, além de reduzir gastos, satisfazem ainda mais seus clientes.

O mercado petrolífero é um dos marcados mais importantes da economia brasileira, e para manter os colaboradores que trabalham em plataformas petrolíferas, empresas de alimentação industrial enviam diariamente containers com alimentos e bebidas para as plataformas. Após o desembarque e esvaziamento desses containers, os mesmos retornam para as bases em terra, onde são avaliados a passam por manutenções para que possam voltar novamente para as plataformas.

Neste artigo vamos abordar como o ciclo de containers é realizado, desde o momento de carregamento até o seu descarte, por não apresentar mais condições de uso.

De um modo geral, as empresas sempre desenvolveram as atividades relacionadas a suprimento, transporte, estocagem e distribuição dos seus produtos, porém o novo conceito é realizar essas atividades de forma integrada e coordenada. Sendo assim, reconheceram um grande potencial na logística para agregar valor aos produtos e serviços fornecidos aos seus clientes, consolidando ou aumentando suas vantagens competitivas para enfrentar a concorrência (Vicenzi, Luiz G. C., 2013).

Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor (NOVAES, 2001).

Os gestores deste setor devem garantir a pontualidade de entrega, providenciando o transporte das mercadorias, ter o conhecimento das diversas modalidades de meios de transporte, preparar a documentação adequada e minimizar riscos (DAVID; STEWART, 2010).

As empresas futuramente não se preocuparão somente com a fabricação, venda e a distribuição do produto. O comprometimento em preservar o meio ambiente fará com que as mesmas sejam responsáveis pelo recolhimento, tratamento e reciclagem dos resíduos dos seus produtos (Ferrera, Carla; 2002).

Rogers e Lembke (1999) definem logística reversa como: o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques de processo, produtos acabados e as respectivas informações, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino.

Logística Reversa é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo de retorno dos bens de pós-venda e pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos (LEITE, 2005).

Logística Reversa é uma das áreas da logística empresarial que engloba o conceito tradicional de logística, que agrega operações e ações ligadas, desde a redução de matérias-primas primárias até a destinação final correta de produtos, materiais e embalagens com o consecutivo reuso, reciclagem ou produção de energia. (PEREIRA et Al., 2013).

CONTAINERS

Containers são grandes caixas de metal feitas em tamanho padrão em múltiplos de 20 pés (6 metros) chamadas “twenty foot equivalent units” (unidades equivalentes a 20 pés – TEUs). No ano de 2003 a produção de containers alcançou 20 milhões de TEUs, e a China foi responsável por mais de 90% desse resultado. O transporte usando containers apresenta diversas vantagens: o produto precisa de menos embalagens, eles evitam alguns danos, e eles promovem uma alta produtividade em diversas etapas de manuseio e transporte. Além disso, o uso de containers possibilita o transporte em diferentes modais: entre barcos, caminhões, trens e a troca de um para outro é feita com relativa facilidade. O transporte mundial de containers atingiu 266,3 milhões de TEUs em 2002, superando com folga os 243,8 milhões de TEUs atingidos em 2001 (COELHO, 2010).

Container dry é o mais usado no mundo, é destinado a cargas gerais, ele é totalmente fechado apenas com as portas padrões no fundo do container. Esse container também é um dos mais usados na modificação de container para casas, escritórios e etc. Os produtos que geralmente são transportados nele são alimentos, roupas, móveis, muito usado também como almoxarifado e depósitos gerais, com modificações ele pode armazenar carga a granel e produtos químicos. Na importação de carros esse container também é bastante utilizado

Um container reefer (refrigerado) é parecido com um container dry, mas o chão dele, diferente do de madeira do container dry, possui alumínio, as portas são reforçadas com aço e possui revestimentos em aço inoxidável. O container refrigerado tem um motor próprio que fornece a refrigeração para manter a temperatura da carga do container entre -25º e +25ºC de acordo com o produto. Geralmente os containers são ligados na tomada para o funcionamento, porém com modificações, um gerador pode ser usado. O container reefer possui a porta traseira padrão do container e tem 10 centímetros de revestimento em todas as paredes do container.

CERTIFICAÇÃO DNV 2.7-1

Container offshore é uma unidade portátil com uma massa bruta máxima não maior que25.000 Kg, para uso repetido em transporte de bens ou equipamentos, manuseados em alto mar, de, para ou entre as instalações e/ou flutuantes e embarcações.

Containers offshore projetados, fabricados, testados e marcados em conformidade com as exigências previstas, podem ser certificados pela Det Norske Veritas (DNV). No final do processo de verificação, um certificado de produto é emitido pela Sociedade Classificadora e o emblema numerado de certificação é fixado ao container. A certificação consiste nas seguintes etapas: revisão de projeto, inspeção e teste de protótipo, inspeção e teste de produção e emissão dos certificados DNV 2.7-1.

Para a confecção deste artigo, foi feito uma reunião com Sr. Fábio Rezina – Gerente de Logística e Suprimentos – São Paulo e Macaé, da empresa De Nadai Soluções em Alimentação, que explicou detalhadamente todos os processos da logística e da logística reversa dos containers.

PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA

Atualmente a empresa De Nadai conta com 250 containers, sendo 116 do tipo reefer e 134 e tipo dry e duas Bases em terra. Semanalmente, 90 desses containers são enviados para alto mar e 85 retornam para a terra, sendo que os cinco restantes permanecem nas plataformas como reserva para possíveis devoluções de produtos.  Os envios acontecem a partir da Base 1, base na qual o estoque está localizado, e os retornos acontecem na Base 2, base onde os containers passam por manutenção.

Por exigência da sua principal contratante offshore, a Petrobrás, todos os containers possuem certificação DNV 2.7-1.

Na Base 1, de acordo com o que foi planejado previamente (anexo A), são gerados pedidos de abastecimento para cada plataforma e navio, com os romaneios emitidos, a separação é iniciada e após a separação os containers são estufados. Todos os itens separados devem ser acondicionados em monoblocos de plástico para que o produto fique protegido, para melhor aproveitamento do espaço interno do container e para facilitar o carregamento. O único item que não segue em monobloco é o galão de água, pois este item tem uma grade própria para seu transporte.

Após esse processo, os containers vão para o pátio para aguardar transporte até o porto. Enquanto esses processos são realizados, outros departamentos estão cuidando da parte burocrática, que consiste em agendar, via internet, retira dos containers nos portos, descarga nas plataformas, emissão da nota fiscal e da requisição de transporte (RT).

As principais informações da RT (anexo B) são: número do container, número de certificado da eslinga, origem e destino da carga, tipos de carga, tipo de container, dimensões e peso do container e valor da carga.

Quando todos os documentos foram emitidos e os containers estão devidamente carregados, uma empresa terceirizada de transporte retira os containers na Base 1 e os leva para o porto indicado.

No porto, os containers são alocados em supply boats, que são as embarcações que realizam as entregas em alto mar. Esse transporte não é de reponsabilidade da De Nadai e sim da Petrobrás.

Em alto mar podem ocorrer duas situações: o mesmo suplly boat que faz a entrega, recolhe os containers vazios que estão na plataforma ou um suplly boat é enviado exclusivamente para recolher os containers vazios.

Outros fatores, como mal tempo ou mar revolto, podem aumentar o tempo que o container fica em alto mar, por este motivo que a De Nadai conta com uma frota maior do que número enviado/recebido de containers. Contudo, o tempo médio de retorno é de sete dias.

Quando os containers estão a bordo das plataformas, a unidade solicita a De Nadai a RT de back load (volta dos containers) a partir da Guia de Desembarque de Material de Contratada (GEM). Na GEM constam informações de utensílios acondicionados em cada container. Ambas são automaticamente liberadas e ficam aguardando liberação no sistema da Petrobrás.

Quando a embarcação chega ao porto com os containers das RTs de back load, a Petrobrás notifica a De Nadai e a mesma tem vinte e quatro horas para retirar esses containers. Depois de notificada, a De Nadai gera a Autorização para Movimentação de Material de Contratada (AAMC) e os demais documentos exigidos e acionam a transportadora para coleta. A transportadora retira os containers no porto indicado e os levam até a Base 2.

Na Base 2, ao receber os containers, os mesmos são esvaziados, pois eles retornam com monoblocos, grades e galões de água vazios, malotes e produtos devolvidos por avaria.

Para reutilização dos itens de retorno, os monoblocos são lavados e higienizados com detergente neutro e solução clorada e as grades de água são apenas lavadas com água e escova. Após esse tratamento, ambos são enviados para a Base 1, onde ficam armazenados aguardando novo envio para alto mar.

Tanto o monobloco quanto a grade de água, são utilizados até não apresentarem mais condições de uso ou sofrerem alguma avaria.

Os galões de águas ficam armazenados na Base 2 aguardando que o fornecedor os retira para tratamento e reutilização ou descarte.

Os containers que retornam, são lavados, higienizados, passam por manutenção, e a cada 90 dias são dedetizados.

 Todos os containers passam por manutenção preventiva, onde se verifica a necessidade de reparos na pintura e pequenas correções de motor nos containers reefer. Os containers que necessitam de manutenção corretiva também são reparados na Base 2. Quando os containers não têm mais condições de uso, eles são vendidos a uma empresa de reciclagem.

Periodicamente, as eslingas (pontos de fixação de cabos para içar os containers) passam por certificação para que o container possa continuar a ser utilizado. São emitidos laudos de certificação que devem viajar junto com os outros documentos do container. Essa certificação é realizada por empresa terceirizada.

Após todos esses processos, os containers ficam alojados na Base 2 prontos para voltarem a Base 1 para serem reutilizados.

Conforme necessidade da Base 1, são enviadas solicitações de containers para a Base 2 (anexo 4), que contata a transportadora para e retirá-los e leva-los até a Base 1.

Chegando à Base 1, é feita uma conferência dos containers e estado dos mesmos e todo o ciclo se inicia novamente.

A empresa De Nadai consegue economizar fazendo a manutenção e venda de seus containers e, também, contribuir com a preservação do meio ambiente vendendo os mesmos para empresas de reciclagem.

            Durante as reuniões para desenvolvimento do trabalho, foi observado que existem três trajetos realizados por uma empresa terceirizada de transporte: Base 1 para o porto, porto para Base 2 e Base 2 para Base 1. Esse transporte terceirizado feito em triângulo foi considerado um ponto crítico, pois a empresa poderia ter transporte próprio e com isso reduzir os gastos com transportes terrestres.

            Ao questionar o gerente da área, Sr. Fábio Rezina, sobre esse ponto crítico ele esclareceu que o gasto para implementar transporte próprio seria alto e o retorno seria quase inexistente. Para resolver esta situação, a De Nadai está unificando as Bases.

            Com somente uma base, serão necessários somente dois transportes: Base para o porto e porto para a Base. Além de economizar com transporte, o tempo de do ciclo será reduzido, pois não será mais necessário solicitar containers para Base 2 e aguardar disponibilidade de transporte.  Esta implementação ocorrerá em curto prazo (aproximadamente quatro meses).

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Este artigo sobre Logística Reversa de containers offshore, foi feito por Anderson Giovanelli, Débora Altheman Castão, Elvis Leme da Silva, Ivanildo Azevedo da Rocha, Lívia Ramos de Brito Cavalcante, para a Universidade Metodista de São Paulo

Para a realização deste artigo, foi solicitado uma autorização para detalhar o processo de Logística Reversa de containers na empresa De Nadai, localizada em Macaé no estado do Rio de Janeiro.

REFERÊNCIAS

BUSSINGER, Vera. Página institucional. Disponível em:  <https://www.e- commerce.org.br/artigos/logistica.php> Acesso em 03/05/2014.

CERTIFICATION DNV. DNV. 2008. Disponível em: <https://exchange.dnv.com/publishing/stdcert/2008-11/Standard2-7-1.pdf> Acesso em: 03/05/2014.

DAVID, Pierre; STEWART, Richard. Logística Internacional. 2º Edição. Cengage Learning, 2010.

DE NADAI. Empresa. De Nadai. 2013. Disponível em: <https://www.denadai.com.br/index.php/empresa> Acesso em 03/05/2014

FERRERA, Carla; LOGÍSTICA REVERSA: ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS ; 2002). Disponível em: <https://www.guialog.com.br/ARTIGO402.htm> Acesso em 03/05/2014.

LEITE, P. R. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

MAERSK. Gallery. Maersk. 2014. Disponível em: <https://maersklinereefer.com/equipment-services/gallery> Acesso em: 03/05/2014.

NOVAES, Antônio Galvão. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, 2001.

PEREIRA, A. L. et al. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

VICENZI, Luiz G. Caliani. Artigo Acadêmico. UFSCAR. Disponível em: <https://www.ebah.com.br/content/ABAAAAsesAF/logistica-empresarial> Acesso em 03/05/2014.